Destinos intencionaisSeason 0111 min · Zanzibar

Zanzibar: onde ficar, o que vale mesmo a pena e o que eu saltava

Corri Zanzibar em uma semana, com cinco tours e quatro hotéis. Este é o guia que trouxe de volta: o que merece o teu tempo, o que eu saltava, e como montar a viagem para a sentires de verdade.

Já te contei como foi a minha semana em Zanzibar: cinco tours, quatro hotéis, um voo para um safari a meio, e a sensação estranha de ter estado lá sem nunca lá ter estado a sério. Mas há um lado bom em correr uma ilha inteira: fica-se a saber exatamente o que vale a pena. Este artigo é isso, o filtro que trouxe de volta. Para que a tua viagem comece onde a minha devia ter começado.

Zanzibar em um minuto

  • Quando ir: de junho a outubro, ou de final de dezembro a fevereiro. Eu fui em outubro e o tempo esteve irrepreensível; é época seca e quente.
  • Visto: trata-se à chegada no aeroporto ou online, pelo sistema de e-visa.
  • Moeda: o xelim tanzaniano (TZS), mas o dólar americano é aceite em todo o lado.
  • Seguro: o seguro local da Zanzibar Insurance Corporation (ZIC) é obrigatório: 44 USD por adulto, 22 USD dos 3 aos 17 anos. Compra-se online antes da viagem e o QR code é pedido na imigração.
  • Respeito: cerca de 99% da população é muçulmana. Respeita as crenças e lembra-te do dress code fora das zonas de praia.

E uma nota honesta antes de sonhares com o mapa: Zanzibar é uma ilha maravilhosa, a gastronomia é incrível, o povo e a cultura riquíssimos. Mas fora do resort não esperes ruas alcatroadas nem grandes infraestruturas. Planeia bem a rota: não há muitas estradas nem alternativas de caminho, e o que parece perto no mapa pode ser, na verdade, uma hora ou mais de carro.

Alugar carro? Não aconselho, a não ser que tenhas muita experiência a conduzir em países com poucas regras. As estradas podem ser caóticas: não há sinais de trânsito, vais ver carros em contramão, animais na estrada. Não é julgamento, é retrato. E com um bom motorista local, até o caminho vira parte da viagem.

Última nota, esta sobre as praias: vais cruzar-te muitas vezes com locais a vender artesanato. Nem sempre são insistentes, mas às vezes podem ser. Normalmente um "não, obrigada" com um sorriso resolve; nas zonas mais turísticas, como Nungwi ou Kendwa, pode ser preciso repeti-lo. Faz parte da ilha: é gente a ganhar a vida, não é um problema a resolver.

Primeiro, as marés (a verdade que as fotos não contam)

Antes de escolheres onde ficar, a informação que ninguém te dá nas fotos: em Zanzibar, a costa este (Paje, Jambiani, Bwejuu, Matemwe) vive ao ritmo das marés. Na maré vazia, o mar afasta-se centenas de metros e deixa um areal infinito, piscinas naturais e as algas à vista. É lindíssimo, mas não é mergulho a qualquer hora. Falo com conhecimento de causa: há dias em que caminhas uns bons metros até encontrares água que te chegue à cintura. E isto vindo de alguém com 1,55m de altura.

No norte (Nungwi, Kendwa), a maré quase não se sente: o azul está sempre à porta.

Nenhuma costa é melhor. São ilhas diferentes dentro da mesma ilha, e a escolha certa depende da viagem que queres.

Barco tradicional dhow na beira-mar da costa este.
Mulher em água pela canela em Jambiani, com um dhow atrás.
Jambiani na maré cheia. Umas horas antes, isto era areal a perder de vista.

Como montar a viagem: uma, duas ou três bases

Sete noites é o meu mínimo para Zanzibar. Menos do que isso, entre o voo longo e as estradas lentas da ilha, é ir a correr: precisamente a viagem de que te quero salvar. O ideal vive entre as 8 e as 12 noites, consoante o roteiro.

Vela de dhow com kitesurfistas ao fundo, em Paje.
Grupo de maasai a caminhar na praia de Jambiani.
Praia do norte vista do ar, água turquesa.
Paje, Jambiani e o norte. Mundos diferentes na mesma ilha.

Uma base só, mar sempre pronto: Nungwi ou Kendwa · 7 a 9 noites

Se queres uma base única com praia e mar sempre bons, azul intenso e boas infraestruturas (dentro da realidade de Zanzibar), o norte é a resposta. Nungwi tem energia: restaurantes, vida, pores do sol famosos. Kendwa é a irmã mais calma, areia em pó e menos rebuliço. Com uma só base, sete noites chegam bem: a ilha vem ter contigo em passeios de um dia, e sobram dias inteiros para não fazer rigorosamente nada.

Para quem é: primeira vez na ilha, quem quer chegar e não pensar mais.

Uma base só, longe do rebuliço: Matemwe ou Michamvi · 7 a 9 noites

Se a tua vibe é uma boa praia longe dos grandes hotéis e aglomerados, o meu conselho é Matemwe ou Michamvi. Matemwe é uma aldeia de pescadores real com alojamentos pequenos e bonitos, e é a porta de Mnemba, o melhor snorkel da ilha. Michamvi é a península quase sem construção a seguir a Pingwe, com um trunfo raro na costa este: o lado de Michamvi Kae vira a poente, e tens pores do sol sobre o mar.

Para quem é: segundas visitas, luas de mel discretas, quem viaja para ler, mergulhar e mais nada.

Duas bases, a viagem completa: este + norte · 7 a 10 noites

Se não te importas de mudar de casa uma vez, esta é a minha proposta favorita: metade dos dias em Jambiani ou Paje, metade em Nungwi ou Kendwa. No este tens a vida local e o Zanzibar autêntico; no norte, o mar de postal a qualquer hora. No mínimo, 4 noites no este e 3 no norte; o ideal são 8 a 10, com uma única mudança de mala a meio.

Jambiani ou Paje? São vizinhas e são mundos. Paje é a capital do kitesurf, com cena de cafés e viajantes de todo o mundo: mais movimentada, mais social. Jambiani é a aldeia de pescadores autêntica e serena, de dias que se repetem no bom sentido. Eu sou claramente da equipa Jambiani, mas é uma questão de vibe, não de qualidade.

Para quem é: 7 a 10 dias, casais e amigos que querem o melhor dos dois mundos.

Três zonas, a ilha inteira: Stone Town + este + norte · 10 a 12 noites

Uma a duas noites em Stone Town à chegada, 4 a 5 no este, 4 a 5 no norte. Começas na cultura (Stone Town merece uma noite dormida, não uma visita à pressa), passas à alma, acabas no mar. Com menos de 10 noites, não forces: corta uma zona e fica nas outras duas. Três bases numa semana foi o erro que eu fiz, e já sabes como acabou.

Onde ficar: a minha shortlist

Fiquei em quatro hotéis e guardei muitos mais no radar. Esta é a lista curada; a lista completa, com o quarto certo para cada viagem e a época certa para cada zona, é trabalho que faço à medida.

Jambiani

Passion Boutique é o meu favorito da ilha, e fiquei lá para o poder dizer. São só 8 quartos, todos imaculados: limpeza, decoração, amenities, tudo. O nosso era dos "mais pequenos", e nem por isso era pequeno; era a joia da casa pela localização, rés-do-chão com vista frontal para a piscina e o mar. A vibe é de calma absoluta, a equipa é um amor, e a comida do restaurante é um 12 em 10: podes e deves ir experimentá-la mesmo que não fiques hospedado. E um detalhe que diz tudo: descafeinado não é coisa fácil de encontrar em Zanzibar, mas a gestora fez questão de procurar até encontrar, e todas as noites me perguntavam se estava pronta para o meu descafeinado. É este o nível de cuidado.

Para quem é: quem quer relaxar de verdade, quem valoriza personalização e sítios altamente curados e estéticos. Casais, solo travelers ou amigas: garanto boas fotos sem saíres do hotel. O único senão não é do hotel, é da zona: aqui as marés mandam, e o mar transparente à porta nem sempre está lá (volta atrás ao capítulo das marés).

O Passion Boutique visto do ar, entre palmeiras e a praia.
A piscina do Passion a terminar no mar.
Quarto do Passion com banheira e cadeiras de vime.
Pequeno-almoço no Passion com a praia ao fundo.
Sala de estar do hotel, madeira e luz quente.
O restaurante do Passion, com mesas junto à piscina.
O balcão do restaurante do Passion.
O gato da casa ao sol, no soalho de madeira.
A piscina e as palmeiras vistas do terraço.
A casa, os quartos e o restaurante do Passion. E o gato, claro. · Foto: Passion Boutique Hotel (aérea, quarto e restaurante)

Da minha shortlist apurada em Jambiani, ainda: Alma Boutique (o lado polido da aldeia, feito para luas de mel) e Sea View Lodge (bungalows de frente de mar, bom equilíbrio para amigos ou primeira vez).

Paje

Amani Boutique, membro dos Small Luxury Hotels of the World, é o topo da zona: para quem quer Paje com luxo discreto. Villa Huruma é a entrada simples e bem feita: piscina, praia, sem complicar.

Matemwe

Kasha Boutique é o refúgio: suítes com piscina privada, feito para luas de mel e segundas viagens. Villa Kiva é o romântico de escala humana, com spa.

Nungwi

Nungwi é conhecida pelos famosos all-inclusive Riu Jambo e Riu Palace, lado a lado (o Palace só para adultos). Fiquei no Palace, e digo-o com franqueza: cada vez me identifico menos com hotéis de grandes cadeias. O rebuliço das refeições, os quinze minutos a pé dentro do próprio hotel para ir do ponto A ao B. Mas seria injusta se não dissesse o outro lado: para quem quer todas as comodidades num único sítio, sem pensar em mais nada, funcionam. Só não é a minha ideia de sentir Zanzibar.

Na minha shortlist boutique do norte: Nungwi Dreams by Mantis (design e luxo), The Zanzibari (a ponta calma de Nungwi, longe da confusão) e Siri Beach Lodge (a alternativa adults-only descontraída).

O que vale mesmo a pena

Mnemba Island. O melhor snorkel da ilha, e uma das coisas que repetiria sem pensar. Meio dia bem passado, de preferência a partir de Matemwe ou do norte.

Stone Town, dormida. Não é uma visita, é uma cidade: os becos, as portas esculpidas, o mercado noturno de Forodhani ao pôr do sol. Se pudesse voltar atrás, ficava lá duas noites. Perder-me em Stone Town foi das melhores coisas que fiz.

Um passeio de dhow ao pôr do sol. Duas horas, um barco tradicional, o céu a arder sobre Nungwi ou Kendwa. Simples e certeiro.

Golfinhos, mas com regras. Nadar com golfinhos pode ser mágico ou pode ser triste, e a diferença está no operador. Golfinhos primeiro: não se persegue, não se cerca, nada-se só se eles vierem ter contigo. Procura operadores que digam isto por escrito; existem, incluindo um coletivo local de barqueiros éticos em Kizimkazi. Salto sem hesitar tudo o que envolva perseguição.

Nakupenda, com tempo. O banco de areia mais bonito que já vi, e o sítio onde aprendi a lição desta viagem: tive quarenta minutos de relógio num lugar cujo nome quer dizer "eu amo-te" em suaíli. Vai, mas foge dos combos apressados: procura uma saída privada ou com tempo real no banco de areia.

A olaria com as Swahili Mamas, as compras locais em Paje, as tartarugas. Sobre estas últimas: fiz o Baraka Natural Aquarium, em Nungwi. É giro, mas é a versão mais turística da experiência. Não cheguei a ir à Salaam Cave, mais a sul, mas é a que escolheria hoje: a mesma magia, com muito menos gente. Mais uma para a lista da próxima.

Porta esculpida de madeira em Stone Town.
Beco estreito de Stone Town.
Banca de fruta numa rua de Stone Town.
Um gato deitado entre bancas de artesanato.
A ilha de Mnemba vista do barco.
Tartaruga gigante de perto.
Stone Town, Mnemba e as tartarugas de Prison Island. Nada disto se faz bem com pressa.

O que eu saltava

O Safari Blue. Vou ser honesta: foi o tour que menos me encheu as medidas. É o mais famoso da ilha e tem tudo no papel (dhow, snorkel, banco de areia, marisco), mas é também o mais massificado, com dezenas de operadores a vender o mesmo dia em série. Se o quiseres fazer, escolhe o operador original e vai com expectativas certas. Eu preferia gastar esse dia em Mnemba, ou em Nakupenda com calma.

Tudo o que persegue golfinhos. Já sabes porquê.

A pressa. O verdadeiro tour a evitar. Cinco tours numa semana foi o meu erro; escolhe dois ou três e faz cada um com o dia inteiro à frente.

O safari a meio: vale a pena?

A meio da semana de praia, apanhámos um avião para Arusha (hora e meia de voo) e fizemos dois dias de safari: Tarangire e a cratera do Ngorongoro. Zebras aos montes, girafas, elefantes, os Pumba de carne e osso.

A razão de o encaixarmos assim foi simples e honesta: económica. Queríamos um safari a sério, e voar de Zanzibar para Arusha fica muito mais em conta do que um voo internacional para o Kilimanjaro com toda a logística que se segue. Funcionou, e não troco esses dois dias por nada. Mas se voltasse, fazia ao contrário: investia mais, começava pela Tanzânia continental com o safari feito com tempo, e só depois aterrava em Zanzibar. A ordem certa é essa: primeiro a poeira, depois o mar, para descansares do próprio safari.

Elefante entre os arbustos, em Tarangire.
Placa da estrada da cratera do Ngorongoro.
Tarangire e a cratera do Ngorongoro, a hora e meia de voo da praia.

E há uma terceira via, para quem não quer investir tanto e procura uma primeira experiência: o day trip de avioneta de Zanzibar ao Parque Nacional de Mikumi, com 40 a 50 minutos de voo em cada sentido. É um dia longo e cheio, mas já tive clientes a fazê-lo e voltaram encantados, com avistamentos de muitas espécies num só dia.

Se eu voltasse

Voltava sem qualquer dúvida a Jambiani, ao Passion Boutique. Repetia Stone Town, desta vez com duas noites, e Mnemba Island. E fazia finalmente o que ficou por fazer: a Jozani Forest (os macacos red colobus só existem ali, e toda a gente que lá foi me confirmou o que eu suspeitava), uma spice farm (numa ilha que construiu a sua história sobre especiarias, é quase visita obrigatória), a Salaam Cave, e o Nakupenda com a manhã inteira à frente.

E é esse o lado bom de não fazer tudo: fica-se com razões para voltar.

A sair do mar turquesa, sem pressa.
Praia quase vazia, areia branca e mar em tons de azul.
Da próxima vez fico mais tempo num sítio só. Já sei qual.

Onde comer: a nota de bolso

De estilos diferentes, para não saíres da ilha sem a provar: o restaurante do Passion Boutique em Jambiani (o meu 12 em 10, aberto a quem não está hospedado), o mercado noturno de Forodhani em Stone Town (street food ao pôr do sol: prova a famosa pizza de Zanzibar), o Mr. Kahawa em Paje (café de praia com peixe trazido de dhow) e o The Rock em Pingwe (o icónico restaurante em cima de uma rocha no mar). O resto da lista vive nos meus travel plans.

O restaurante The Rock sobre uma rocha no mar, visto do ar.
O The Rock, em Pingwe, com a maré cheia à volta. · Foto: The Rock Restaurant Zanzibar
Travel plans personalizados, com a estrutura toda e as dicas de insider de quem esteve, viveu, provou e sentiu. Se Zanzibar está na tua cabeça, é isto que eu faço. Tu só tens de fazer a mala.

joo

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